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Repisar

É tão estranho, assim que cheguei mais perto de ti Lembrei deste cheiro, olhei nos seus olhos E como sempre, sendo o dia bom ou ruim, você sorri Daquele nosso jeito, me desarmo aos poucos A conversa segue, em forma de fumaça Você sempre lembra: O quanto agente mudou E no espelho dos nossos olhos vemos muita graça Mas a luta com o tempo continua, um piscar ele passou. Eu não sou o mesmo rio e você não é a mesma mulher Então por que não se banhar em algum álcool qualquer? Mesmo assim sinto que estou a repisar Afinal, a porta sempre esteve meio aberta É ai que me entravo, tropeço no passado Sinto já  conhecer estas pegadas, A pergunta é: Iria a mão dada? A gente se guiaria por esta estrada? Olha só, mais um fio vermelho em minha lapela Lembrança desta ultima noite bela Afirma que somos assim, como a correnteza Arrastamos um ao outro para longe da tristeza. E vamos assim, se deixar indo Talvez o problema nunca tenha sido o caminho....  

Solidão que poeira leve

Falar de solidão não parece de meu feitio Aparento bruto demais para tal coisa... Falo com 300 pessoas por semana Sobre o mundo as estrelas e coisas mais Esbravejo, grito, afago e marco Sou presença e presente Algo que o tempo talvez não apague Mesmo assim, quero falar de solidão... Saído o personagem, caída a mascara me sinto Fausto Desejei algo como a destruição Negociei com o diabo, e perdi Abro as gavetas, roubaram meus cigarros nem a fumaça para me acompanhar um ônibus atrás do outro ninguém me procura nem mesmo eu No jogo entre augusto e branco não sou nem mesmo a plateia talvez eu seja o piso, ou o ar sacolejado, desajeitado, esbofeteado mas... não visto Falar de solidão não parece de meu feitio Aparento bruto demais para tal coisa... Da ultima vez me amarrei com cordas de cetim, espera, foi outra vez Na ultima me perdi em um labirinto espera, foi outra vez Na ultima vez, me atrapalhei e cai Ah sim, desta vez sim... Quebrei a redoma e fada ...

Sou folha

Pois eu sou folha triste a voar pois eu sou folha escrita pelo poeta Ainda respingo seiva de outra vida tinta de outra escrita Em minha estranha forma sou passado e presente mensagem e desaparecimento Sou levado como vento faço cabriolas, rascunhado, me acento sobre o solo surrado Possuo veias sulcos e nervuras emoção e fleuma Sou imagem e objeto palavra e húmus comida de verme de toda forma Pois eu sou folha triste a voar pois eu sou folha escrita pelo poeta

A velha cidade das memórias

Cheguei de malas as ruas ainda são cinzas as férias acabaram a névoa das sete horas já esfumaçam É pouca coisa mudou esta cidade está empoeirada quanto trabalho a se fazer A velha casa das certezas, abandonada me encontro em um banco qualquer um som vem de longe há um teatro aqui nunca vi A morte nos visita com nova opera suas filhas aqui de novo Tristeza e Solidão estas já vi mais cedo Me sento em um acento ocupado, não existem espaços em um lugar como este por aqui em meu cantil algo com cheiro cortante que deixo rasgar entre os pulmões Moria passa entre os vacantes pedindo um pouco de atenção um copeque no chapéu da senhora Estou de volta a cidade das memórias espero ser bem vindo

Traquinagem de um garoto perdido

Certa vez  achei que havia conquistado a montanha ido longe...chegado em algum lugar Certa vez achei que tinha o mundo em mãos que os versos morreram por inanição Certa vez achei que alcei voo alto senti os céus com pés descalços Certa vez achei que o tempo esperou que a vida me alcançou Desta vez, já sei Subi o muro para cair esboroei os apoios senti meu corpo caindo no tempo de fechar os olhos Acostumado...cai

A porta esta entre aberta , não é para que entre , mas para te ver na paisagem

Sabe , te deixei ir embora abri a porta E outra companheira entrou , devia ter fechado, pois a felicidade esta aqui companheira de toda vida chegou com rosas e uma armadura Há quem imagine que existem príncipes e só encontrei princesa de sorriso inocente e índole forte E de sua pureza se dissipou a fumaça e posso eu seguir meu caminho a pé, de pé, veja como é... E todos os dias sua voz me envia pelo vento tão distante um calor uma corda para me agarrar Mesmo assim não sai daqui da casa das certezas Sabe te deixei ir embora , abri a porta E outra companheira entrou mas finalmente entendi o que me disse não se trata de trocar ... É a mesma casa ... mas parece outro lugar qualquer mudamos todas as coisas de lugar minha guitarra continua lá... Não se trata de trocar de esquecer, de deletar apenas de outra chance se dar então outra companheira entrou Mas porta desta vez esta entre aberta mande um sinal de fumaça se precisar Afinal, finalmente ...