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O alcool e o outro eu

E pela terceira vez
estou nesta mesa de bar
suplicando por redenção
fugindo contra mim

Sou um ser de mãos atadas
confusas pelas suas próprias desventuras
são mortas em ataduras de suposta ternura

E novamente  teço laços
para me enforcar
para rasgar de forma desajeitada

Da primeira vez
tomei uma dose
foi uma facada que me sangrou
e tentei assim curar, com um adeus

Da segunda vez
Tomei uma dose
Foi um veneno hostil
que me cegou e fez ver o que não existia

Da terceira vez
Tomei uma dose
E lhe feri com balas
de dissimulação e de minha perdição

Corram, se escondam , me expulsem
ele acordou
Um ser insano que pouco me convenceu
ele acordou
Sou eu e não sou ninguém
ele acordou
Violência, ódio e dor
ele acordou
Ternura, saudade e abraço
ele acordou

E quem me da mais um gole ?

Então decolo
saiu daqui
vou para paris , Marte
sou político , sábio doutor
sou do amor, amo a guerra
sou contradição e mentira
sou delírio

E me odeio um gole mais




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O topo

Eu escalei Escupi o mundo A minha imagem e semelhança Engoli o necessário... Me fiz assim... E mesmo assim, Me sinto sozinho Ninguém me olha, De certa forma Não como sou... Eu não mudei... Sou o mesmo merda de sempre Mas não o merda que acham que sou ... Sou um sabotador Um merda, Um nada... Pense assim: Nenhum parasita Se instala pedindo licença E eu sou o parasita Me encosto de canto, Entro via fumaça, Na sua respiração Sou louco o suficiente para estuda-la. Tudo isso é uma alucinação De um homem monstro Já disse, o álcool e outro eu... Uma coisa boa me aconteceu Não sei lidar, é claro, fudi com tudo... Afinal nunca quis ser feliz...

A árvore que não plantei

 Minha memória anda estranha Lembro de coisas que não sei bem se existiram Com o passado faço barganha Me apego a aquelas que ainda não me fugiram Lembro bem de uma árvore Aquela que nunca plantei  Aquela que não deu gritos  Nos caminhos que nunca andei Lembro do suor da terra E daquele cheiro úmido no ar Todo o céu sem um azul Um único olhar  Ah, o olhar Existem olhares que entram na alma ... Existe algum olhar que te acalma? O olhar que nunca ganhei Lembro bem de uma árvore Aquela que nunca plantei,  Que o fruto não colherei A árvore, tua árvore. Se bem que não existem jardins  na cidade das memórias

Quatro paredes pequenas

O quarto é o mesmo a solidão não, me sinto assim, mesmo acompanhado O quarto é mesmo a sensação é de agrado, mesmo um pouco sufocante Quantas histórias pode ter uma estante? O quarto é o mesmo a fumaça é outra, ainda não sei por que.. Hoje só me movo a reboque. O quarto é o mesmo, as vezes lembro de todos corpos que aqui entraram e nos que não entraram O quarto é o mesmo a palafita não, não sei por que hoje estou aqui na cidade das memórias