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A cortina e o cinza



Sentei-me certa noite ao pé desta escada à lugar algum
Abaixo todos os medos contidos de, quem sabe, um futuro
Acima a impossibilidade de quem não sabe mais caminhar

A minha frente, tão próximo que posso até mesmo tocar...

Uma janela coberta pela cortina do novo...
Uma fuga, basta saltar
Mas a liberdade me afugenta
Só posso ver o cinza lá fora
E silhuetas olham para dentro
Tentam me ver
Mas me escondo

Queria tirar aquela cortina
Talvez fitar os olhos que me procuravam
Ver  qualquer outro olhar que não fosse meu
Uma voz além do meu pensar

Disso não podia murmurar
Pois uma sonata soava ao fundo

O frio aumentava
Notas tão profundas quanto à alma a me buscar
Tudo estava tão confuso
E eu atrás da cortina
Vivendo o cinza
Saboreando a fumaça de meus cigarros

E as silhuetas continuavam a passar 

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A árvore que não plantei

 Minha memória anda estranha Lembro de coisas que não sei bem se existiram Com o passado faço barganha Me apego a aquelas que ainda não me fugiram Lembro bem de uma árvore Aquela que nunca plantei  Aquela que não deu gritos  Nos caminhos que nunca andei Lembro do suor da terra E daquele cheiro úmido no ar Todo o céu sem um azul Um único olhar  Ah, o olhar Existem olhares que entram na alma ... Existe algum olhar que te acalma? O olhar que nunca ganhei Lembro bem de uma árvore Aquela que nunca plantei,  Que o fruto não colherei A árvore, tua árvore. Se bem que não existem jardins  na cidade das memórias

O topo

Eu escalei Escupi o mundo A minha imagem e semelhança Engoli o necessário... Me fiz assim... E mesmo assim, Me sinto sozinho Ninguém me olha, De certa forma Não como sou... Eu não mudei... Sou o mesmo merda de sempre Mas não o merda que acham que sou ... Sou um sabotador Um merda, Um nada... Pense assim: Nenhum parasita Se instala pedindo licença E eu sou o parasita Me encosto de canto, Entro via fumaça, Na sua respiração Sou louco o suficiente para estuda-la. Tudo isso é uma alucinação De um homem monstro Já disse, o álcool e outro eu... Uma coisa boa me aconteceu Não sei lidar, é claro, fudi com tudo... Afinal nunca quis ser feliz...
Resto Eu sou o resto Deixei a máscara cair Eu não presto Seu menos que Cain, Abel me veria subir Eu sou o vasculho, o resto de entulho, A parte que nada vale  Eu sou menos Getúlio Fascista, funcionário