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Canção a ninguem...

Tentei escrever uma musica… sem minhas notas fora … sem erros … em que tudo enfim daria certo …

Tentei escrever uma musica… de escalas perfeitas …sem tropeços… que enfim traria alguém para perto …

Tentei escrever uma musica… enquanto ainda era dia …com lindos solos de harpa…trazendo em si a beleza do céu…

Tentei escrever uma musica… pensando que assim mais valia …sem dizer onde é que a história acaba …tentando esquecer o que não era meu …

Tentei escrever uma musica… que fugisse do luar ou de qualquer estrela …

No fim tudo que consegui… foram notas de plástico… sorrisos longe de serem mágicos… algo talvez mais pratico …

No fim tudo que consegui… uma melodia sem alma… uma palavra sem forma…

No fim não consegui distancia-la tanto assim de mim…

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O topo

Eu escalei Escupi o mundo A minha imagem e semelhança Engoli o necessário... Me fiz assim... E mesmo assim, Me sinto sozinho Ninguém me olha, De certa forma Não como sou... Eu não mudei... Sou o mesmo merda de sempre Mas não o merda que acham que sou ... Sou um sabotador Um merda, Um nada... Pense assim: Nenhum parasita Se instala pedindo licença E eu sou o parasita Me encosto de canto, Entro via fumaça, Na sua respiração Sou louco o suficiente para estuda-la. Tudo isso é uma alucinação De um homem monstro Já disse, o álcool e outro eu... Uma coisa boa me aconteceu Não sei lidar, é claro, fudi com tudo... Afinal nunca quis ser feliz...

A árvore que não plantei

 Minha memória anda estranha Lembro de coisas que não sei bem se existiram Com o passado faço barganha Me apego a aquelas que ainda não me fugiram Lembro bem de uma árvore Aquela que nunca plantei  Aquela que não deu gritos  Nos caminhos que nunca andei Lembro do suor da terra E daquele cheiro úmido no ar Todo o céu sem um azul Um único olhar  Ah, o olhar Existem olhares que entram na alma ... Existe algum olhar que te acalma? O olhar que nunca ganhei Lembro bem de uma árvore Aquela que nunca plantei,  Que o fruto não colherei A árvore, tua árvore. Se bem que não existem jardins  na cidade das memórias
Resto Eu sou o resto Deixei a máscara cair Eu não presto Seu menos que Cain, Abel me veria subir Eu sou o vasculho, o resto de entulho, A parte que nada vale  Eu sou menos Getúlio Fascista, funcionário